sexta-feira, 14 de maio de 2010

Rentabilidade atrai investidores para o mercado de eucalipto
Fonte: Bruno Sales/Campo News

Cansados de apostar na agricultura ou na pecuária, muitos produtores rurais estão migrando para o plantio de eucalipto, uma cultura que demanda planejamento, pois o primeiro corte ocorre no mínimo cinco anos após o plantio. O setor é responsável atualmente por 6% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.

Segundo o levantamento feito pela Abraf (Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas), entre os anos de

2005 e 2008 a área com a cultura cresceu 878,5 mil hectares, ou seja, passou de 3.407,2 mil hectares para 4.285,7 mil hectares.

Para atender essa demanda, as principais empresas do setor, como a Eucatex, possuem seus próprios viveiros de mudas,

que abastecem as áreas de plantio da empresa e de seus parceiros. Hoje, o viveiro da empresa, em Bofete (SP), é

responsável pela produção anual de 15 milhões de mudas e passará por ampliações, para produzir 23 milhões de mudas

por ano.

“As mudas de eucalipto são produzidas através do sistema de miniestaquia, método de propagação vegetativa por

enraizamento de estacas, que gera clones de alta produtividade. As mudas são expedidas livres de doenças,

com sistema radicular ativo, e rustificadas, o que garante uma melhor sobrevivência no campo. A produção de mudas

também pode ser feita a partir de sementes melhoradas”, explica Hernon José Ferreira, gerente da Eucatex Florestal.

Produtores autônomos também contam com viveiros particulares, como a Flora Pison, em Salto (SP). Boa parte da

produção da empresa é destinada a indústrias de reflorestamento, como a Votorantim Celulose e Papel e a

Eucatex, mas a empresa também atende clientes particulares.

“Atualmente, 80% das nossas mudas são destinadas ao plantio corporativo de grandes empresas, mas

20% da produção fica com uma clientela significativa, formada por sitiantes e fazendeiros, que cansados

com a baixa rentabilidade de outras culturas, apostam na rentabilidade garantida do eucalipto”, avalia

Horácio Luz, engenheiro florestal e gerente técnico da Flora Pison.

Mercado

Batizado de ‘poupança verde’, o mercado de eucalipto tem se mostrado um excelente investimento.

Raramente ocorrem oscilações de preços. Para o investidor que tem uma propriedade rural e algum

dinheiro em caixa, a melhor opção é bancar os custos de plantio e manutenção, que são maiores

no primeiro ano, e nos anos seguintes somente é necessário a manutenção, como acerramento da

área de plantio, por exemplo.

Segundo a Bolsa e Mercado Futuro do setor, a madeira serrada tem mostrado uma tendência de

alta. Em setembro deste ano, a cotação era de US$ 176,8 por mbf (mil pés quadrados equivalem a

92,90 metros quadrados). Para contratos em julho de 2010, o valor está em US$ 220,2 por mbf.

Para a indústria, o mercado mundial está em crescimento. Quando começou a ser registrado, em

novembro de 2002, o valor da celulose de fibra curta não parou de crescer. Inicialmente a

tonelada era cotada em US$ 490,00 e atingiu o auge em setembro de 2008, valendo US$ 850,42 a

tonelada.

Neste ano, em razão da crise mundial, houve uma queda nos preços da celulose de fibra curta,

sendo a menor baixa registrada em maio, pelo valor de US$ 502,00. O mercado reagiu e neste

mês a tonelada está sendo cotada a US$ 702,00.

“Não existe melhor investimento na atualidade do que o plantio de eucalipto, pois a rentabilidade

chega até 35% ao ano. Não existe investimento no mercado de ações que cubra esses valores.

Cabe ao produtor procurar uma empresa idônea, que dê uma consultoria técnica, auxiliando na

escolha da variedade ideal do eucalipto, além disso, que garanta a qualidade da muda produzida”,

comenta Luz.